#SessãoEntrevista: Vicente Carvalho – Razões Para Acreditar

Recentemente demos início a uma nova categoria, a #SessãoEntrevistaSA. No primeiro, nós contamos com várias dicas valiosíssimas do queridíssimo Fillipe Luís, idealizador do Publicitários Criativos, que tem uma história e tanto (você pode ler a entrevista clicando aqui), e foi um verdadeiro sucesso.

E para nossa segunda entrevista resolvi falar com uma pessoa incrível, um profissional inspirador e que diariamente leva histórias para as pessoas terem razões para acreditar. Sim, nossa estrela é o Vicente Carvalho, idealizador do Razões Para Acreditar. Tenho que contar que fiquei tão feliz quando ele respondeu minha mensagem topando participar que fiquei muito ansiosa para encaminhar as perguntas e publicar logo. Ah, gente, sou muito fã do portal e, consequentemente, muito fã desse trabalho tão lindo e positivo desse cara fenomenal.

Para quem ainda não sabe, o Vicente é formado em Design pelo IED, teve sua própria agência, a Carvalho Design e Comunicação, por isso, para começar, pedi para ele me contar um pouquinho mais de como foi essa transição para o RPA:

‘Foi de forma bastante natural, eu não odiava o meu trabalho em agência e sempre fiz trabalhos e projetos pela minha própria empresa, o que ocorreu foi que em 2012 tive a ideia de criar o, até então, blog Razões para Acreditar, sem ter muita ideia do que poderia acontecer e aonde poderia chegar. O interesse surgiu de querer contar histórias bacanas e mostrar que tem muita coisa boa acontecendo, e que na verdade é nós que não ficamos sabendo. O percurso do Razões foi acontecendo devagar, ele durante muito tempo não se pagava e não poderia me bancar, por isso mantive o trabalho em agência durante um tempo, daí depois eu comecei a escrever para o Hypeness, e ganhando muito parecido do que ganhava na agência, por isso saí e fiquei dedicado ao Razões e Hypeness. Dos 4 anos que o Razões existe, ele está começando a ter uma base financeira este ano.’

Curiosíssima sempre que alguém fala sobre agência, precisava saber da vivência dele, serviços prestados, quais dificuldades, cases e relacionamento com o atendimento (ai esses atendimentos, rs):

‘Os serviços eram na área de consultoria em Design (embalagem, gráfico e branding), também dei aula durante muito tempo no IED e em alguns outros locais. A dificuldade maior era basicamente a questão de preço do serviço, que sempre é muito questionado, e pessoas comprometidas a entregarem no prazo.

Participei de um projeto em Belém – PA, onde fomos até a cidade entender a realidade das empresas e desenvolver um novo projeto gráfico e estratégico para elas. Desenvolvi também, para o Sebrae Rondônia, um evento, com palestras de designer conhecidos nacionalmente, que teve bastante repercussão. Além de projetos de catálogos e editoriais.

Sobre os atendimentos, eles são essenciais para o processo fluir de forma harmônica, mas acredito que eles têm que estar mais inseridos no processo, principalmente do lado do designer, pois as vezes me parece que o atendimento é basicamente uma “pessoa de recados” entre agência e cliente, e sei que o papel dele é muito maior que esse. Primeiro de tudo ele tem que acreditar no que está fazendo, e entender o ponto de vista do cliente também, mas de forma estratégica, de negócio mesmo. Sem isso, é difícil defender as ideias. Para ser mais produtivo, tem diversas ferramentas que nos ajudam a potencializar isso, as que funcionam para mim é estabelecer prioridades e saber que, independente do que tem que ser feito, tem que focar e fazer, pois procrastinar só vai dificultar finalizar o trabalho.’

Quem acompanha o RPA é impossível não se encantar com cada história, mas a curiosidade para saber como foi e se em algum momento houve vontade de desistir é maior que tudo:

‘O RPA surgiu de uma inquietação minha em relação às notícias que são propagadas, tanto na mídia de massa quanto nas redes sociais. Me dava muita aflição em ver tanta coisa ruim sendo compartilhada, comentada e difundida. Então fiz o site, de forma despretensiosa, e em pouco tempo ele começou a ganhar audiência e visibilidade. Mas demorou para ter algum retorno, pois eu não tinha experiência na área de negócios, por isso chamei uma pessoa da área comercial e marketing para me ajudar nessa parte, ele acabou se tornando meu sócio, o Marcelo. Mas pensei em desistir várias vezes, e acho normal, tem momentos em que a gente acha que não vai dar certo, que é um sonho distante, mas logo depois já retomamos a rédea, e tocamos tudo da melhor forma possível.’

Vale lembrar que o RPA também é uma espécie de agência, por isso pedi para ele contar um pouco mais sobre isso e sobre o atendimento:

‘Percebemos que alguns projetos que queríamos fazer saiam da esfera do site, e necessitavam de uma estrutura mais complexa. Por isso, resolvemos também ter esse “braço” da agência, para que pudéssemos atender outros projetos, como foi o caso do curso de penteados para os pais aprenderem a mexer no cabelo das filhas. E assim a agência foi se formando. Mas ela é híbrida, não temos um quadro de funcionários, ele se configura de acordo com o projeto que fechamos. Não temos uma pessoa específica para o atendimento, somos pequenos (e preferimos nos manter assim), então o atendimento depende do projeto que fazemos, ou sou eu ou o Marcelo, mas é fundamental para um bom andamento dos projetos.’

Sim, eu pedi para ele deixar umas dicas para quem quer começar seu próprio projeto:

‘Eu curto muito fazer o que faço, levar boas notícias para as pessoas é algo que considero um privilégio, e ainda ganhar dinheiro com isso, olha que beleza!

Primeiro de tudo, não larguem de uma hora para outra o que fazem, se você tem um sonho, comece ele de forma paralela, pois pode ser que ele não dê certo logo de cara. E pode ser, inclusive que no meio do caminho você descubra que gosta da estabilidade de um emprego “normal”, pois empreender é difícil, e muitas vezes bem cruel. Ah, e saiba que qualquer experiência na sua vida é válida, uma hora ou outra você vai perceber que alguma experiência vai te ajudar a resolver algo na sua vida! Pode contar.’

E para quem atua na agência:

‘Ser fiel a quem você é conta muito, pois as agências estão cheias de pessoas que se vestem todas iguais, falam iguais, frequentam os mesmos lugares e quase forçam você a ser assim: caia fora disso! Use aquela blusa véia cheia de história, deixe o cabelo do jeito que você quiser, escute a banda que você curte ouvir, nem que sela seja Calypso. E saiba que nenhum status de agência vale as horas que você passa (a mais) no trabalho, nunca vale! ok?’

OK, Vicente!

Me inspira muito profissionais que cedem seu tempo para compartilhar um pouco da sua experiência, que nos mostram que existem sim razões para acreditar que tudo por ser melhor e juntos somos mais fortes.

 

POR: Fernanda Jacob | Idealizadora e Colunista do SA

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